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Barcelos : Jovem de 16 anos mata o pai à machadada após anos de maus-tratos

Filho de emigrante não suportava comportamento agressivo do pai. Aproveitou momento a sós para o matar.

Jovem homicida foi levado por inspetores da PJ de Braga ao Tribunal de Fafe.

O regresso do pai a casa, na noite de quinta-feira, fez o jovem de 16 anos reviver toda a infância e juventude de violência psicológica. O almoço em família, na sexta-feira, na casa onde viviam, em Pereira, no concelho de Barcelos, foi o primeiro momento de grande discussão.

Adélio Ribeiro, de 52 anos, emigrante em França, terá bebido em excesso ao almoço e depois de discutir com o filho deitou-se.

Pedro Daniel Ribeiro confessou crime e má relação de longa data com o progenitor. Juiz decreta prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

Terá sido na sequência de uma violenta discussão que Pedro Daniel Ribeiro, de 16 anos, agarrou numa machada e desferiu três golpes na cabeça do pai, provocando-lhe a morte. De seguida, com o objeto espetado na testa do progenitor, contactou a mãe e foram avisados os bombeiros e a emergência médica. Não a tempo de evitar o pior.

Interrogados o filho e a mãe em separado pela Polícia Judiciária (PJ) de Braga, o jovem acabaria por confessar o crime, explicando os seus contornos dentro da habitação, na Rua da Escola, em Pereira, Barcelos. Levado sábado a interrogatório, o juiz de instrução criminal de turno no Tribunal de Fafe decretou que Pedro Daniel ficará em prisão preventiva até haver condições, na sua casa, para ser sujeito a prisão domiciliária com controlo de pulseira eletrónica.

De acordo com informação recolhida, aos investigadores da PJ de Braga o suspeito terá explicado que mantinha uma má relação com o pai, emigrante, desde há longa data. E que no dia do crime aconteceu uma violenta discussão que acabou em tragédia.

Tudo indica que o homicídio não foi premeditado e resultou de um impulso de momento. A machada terá sido utilizada como arma por ser um objeto contundente que, naquele momento, estava ao alcance do arguido. A vítima ficou atravessada na cama com a lâmina da machada cravada na testa.

Àquela hora de sexta-feira, a mãe de Pedro Daniel Ribeiro encontrava-se a trabalhar numa empresa têxtil situada a dois quilómetros de casa, pelo que nada teve a ver com o crime.

Chegou de França

Adélio Longras Ribeiro, 52 anos, tinha chegado de França no dia anterior. Era lá que estava emigrado há vários meses, trabalhando como calceteiro.

Após ter ligado à mãe, Pedro Daniel foi pedir ajuda a uma vizinha. Naquela hora, ainda era aventada a versão, sem mais explicações, de que o pai fora encontrado pelo filho naquelas condições. Ana ainda viu o corpo de Adélio Ribeiro na cama. “O miúdo veio chamar por mim, porque foi a mãe que lhe disse para me chamar. Quando entrei no quarto, ainda o vi a respirar. Eu tinha estado com ele era quase meio-dia, e parecia estar tudo bem”, descreveu a mulher.

Foram detetados pelo menos três golpes na cabeça da vítima, o que afastaria, em princípio, a tese de suicídio. Restava explorar a hipótese de intervenção da família direta, o que aconteceu em interrogatórios separados e mediante reconstituição dos factos na casa. O filho acabou por confessar o sucedido à PJ, o que levou à sua detenção.

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