Bebé filho de três pessoas nasce na Grécia

Especialistas em tratamentos de fertilidade garantem que um bebé filho de três pessoas nasceu na Grécia, utilizando material genético de duas mulheres e um homem.

O bebé, explica a “BBC”, nasceu na terça-feira, com 2,9 quilos. Tanto a criança como a mãe estão bem. A equipa de especialistas, composta por médicos gregos, espanhóis e um especialista português, acredita “ter feito história” e defende que o tratamento poderá ser replicado noutros casais.

A mulher de 32 anos, natural da Grécia, já tinha experimentado vários tratamentos de fertilidade, mas todos falharam. Segundo explica o jornal “The Independent”, os especialistas substituíram o núcleo do ovócito da mãe pelo núcleo do ovócito da mulher dadora, que depois foi fertilizado pelo esperma do pai e implantado no útero da mulher infértil.

Apesar dos bons resultados, alguns especialistas do Reino Unido defendem que este tipo de tratamento encerra questões éticas e não deveria ser feito. O tratamento foi originalmente desenvolvido para evitar que problemas mitocondriais fossem passados da mãe para os filhos. O primeiro bebé concebido com esta técnica nasceu no México, em 2016, através de uma equipa de investigadores do Centro de Fertilidade New Hope, em Nova Iorque, nos EUA.

Escreve o jornal “The Guardian”, que o tratamento foi tornado legal em 2015, no Reino Unido, mas nenhum outro país desenvolveu leis que permitissem o desenvolvimento desta técnica.

Nuno Costa-Pinto, bioquímico português da empresa espanhola Embryotools, que coordenou este processo, disse ao “State News” que a equipa de investigadores pediu autorização às autoridades gregas para a realização do tratamento, depois de o mesmo ter sido rejeitado em Espanha.

“Para algumas pessoas, é muito difícil aceitarem que não podem ficar grávidas. Este tratamento pode abrir uma nova fase nos tratamentos de fertilidade”, sublinhou. O especialista garantiu, respondendo às críticas, que, neste caso, 99% dos genes do bebé pertencem à mãe e ao pai e apenas 1% à dadora.