Chamo-me José Teixeira, sou empresário, contratei 49 trabalhadores em março

José Teixeira, presidente do conselho de administração do dstgroup escreve uma mensagem na primeira pessoa sobre o estado da Economia mas também sobre a Cultura – decidiu assegurar os salários dos 14 trabalhadores da Companhia de Teatro de Braga e apela a outras empresários para fazerem algo semelhante

As frentes abertas pelo demónio covid-19 exigem responsabilidade dos empresários – e são inúmeras. O dstgroup entende que depende dos seus “soldados” e desde a primeira hora, ainda não existia ainda um único infetado em Portugal, elaborou o seu plano de contingência, que tem sido permanentemente atualizado.

Não nos passaria pela cabeça que teríamos 364 trabalhadores em teletrabalho e, com a implementação de ferramentas de gestão e a monotorização diária, numa espécie de Kaizen às 8,59 horas, conseguíssemos trabalhar.

Independentemente dos recursos colocados à nossa indústria pelo Governo da República e pela banca, estamos em condições de garantir os salários dos nossos trabalhadores, os compromissos com fornecedores e parceiros sem exaurir o Estado.

Somos quase 1800 trabalhadores e, com o tal demónio a espernear em fevereiro, admitimos 66 trabalhadores e no presente mês de março, até hoje, 49 novos trabalhadores. Hoje aprovamos a admissão de mais três trabalhadores.

Não, não despedimos ninguém, nem os que estão à experiência serão dispensados a não ser por razões de desfasamento com a nossa psique e de mau desempenho. Até hoje isso ainda não aconteceu a nenhum.

Neste tempo devastador e imprevisível que atravessamos, assumimos um compromisso com os nossos trabalhadores: queremos chegar ao final da batalha com todos os “soldados” de pé. Como lhes escrevemos: se cairmos, e Deus nos ajude para que isso não aconteça, cairemos todos.

Se neste tsunami perderemos dinheiro? Sim, perderemos uma parte, mas ficaremos com a restante parte e outra, a principal, aumentada: a confiança dos nossos trabalhadores, dos nossos fornecedores e dos nossos parceiros e isso é valor que não tem preço e nos permitirá surfar as ondas do futuro.

Com isto resolvido precisávamos de dar mais um sinal à Economia.

Nada resistirá, com todos os esforços levados ao seu limite, com todos os recursos utilizados, sem cultura e sem os profissionais da cultura, sem aqueles que, com a sua produção artística, nos permitem ser mais competitivos.

Um país sem cultura não sobrevive.

Assim, e não podendo acorrer a tudo, independentemente de outros apoios sociais do grupo, em curso, decidimos assegurar os salários dos 14 trabalhadores da Companhia de Teatro de Braga nos próximos três meses, fora do subsídio plurianual e apoio que lhe atribuímos há quase 40 anos.

Tornamos público este comunicado na esperança de que outros encontrem uma entidade de produção de cultura para apoiar neste momento, para todos desesperado, mas muito mais desesperado para os que vão perder o que não têm.

Pela nossa salvação coletiva: apoiem a cultura.