Covid-19. Encomendas portuguesas de material médico estão a ser “desviadas”

Com algumas “peripécias” nas compras e uma produção europeia aquém das necessidades,as encomendas portuguesas de equipamento médico não conseguem chegar a bom porto, o que nada ajuda na luta contra o novo coronavírus, segundo apurou o Expresso.

As peripécias passam, por exemplo, pelo vendedor que tinha um compromisso para entregar material encomendado pelo Governo ter trocado Portugal por outro país que pagou um preço mais alto e a encomenda “foi desviada”. “O mercado de material médico e de equipamentos de proteção individual não é só rarefeito, é também selvagem e tem sido difícil aos países conseguirem todo o material que precisam”, sublinha a investigação.

E neste contexto desenfreado, Portugal não é caso único e na União Europeia, avançou-se para a compra conjunta de material em falta. A Comissão Europeia tem estado a gerir o processo e garante estar também a trabalhar para acelerar a produção dentro da UE. O objetivo é dar resposta às estimativas iniciais do próprio executivo comunitário: a “oferta tradicional” europeia daria resposta a apenas 10% da procura de equipamentos de proteção individual e ventiladores.

Os valores estão numa nota interna da Comissão Europeia, de 25 de março, a que o Expresso teve acesso e que revelava também a preocupação de Bruxelas. Já esta quinta-feira, fonte comunitária adianta que o valor representa apenas “uma pequena amostra de empresas” auscultadas há umas semanas e que entretanto a indústria do setor “aumentou significativamente a produção”.

A percentagem poderá ter aumentado, mas o próprio executivo comunitário continua com dificuldades em calculá-la, tendo em conta a constante evolução da procura e da oferta.

Esta semana, no Parlamento, António Costa disse que têm sido feitas encomendas com as “peripécias mais extraordinárias” para conseguir o material médico e de proteção que o país precisa e dá como certa a receção de encomendas de milhões de materiais de saúde, como máscaras, toucas, proteção de calçado, como de equipamentos de proteção individual.

Aqui fica a lista, de que o primeiro-ministro fala.

1 – 380.482 batas

2 – 549.837 fatos de protecção

3 – 6.813.259 luvas esterilizadas

4 – 10.674.459 luvas não esterilizadas

5 – 368.397 máscaras com viseira

6 – 17.145.762 máscaras cirúrgicas

7 – 8.665.775 máscaras FFP2 e FFP3

8 – 743.575 protectores de calçado

9 – 1.261.492 toucas

Além deste material técnico, o Governo tem encomendados 280 mil testes, 80 mil a chegarem nestes dias. Em Portugal não se colocou o problema que aconteceu em Espanha, com testes rápidos encomendados a uma empresa chinesa que quando chegaram ao país vizinho não funcionavam. Os testes encomendados pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde encomendaram “testes de PCR, que em tempo real têm elevada sensibilidade e especificidade”, responde ao Expresso o Ministério da Saúde. “Estes testes serão distribuídos por diferentes laboratórios do país, dependendo das suas necessidades e compatibilidade com os equipamentos”.

Portugal não comprou os “testes rápidos que detectam anticorpos do vírus no sangue não se adequam ao diagnóstico de casos agudos, uma vez que só a partir do 10.º dia após o início da infeção é que permitem uma resposta positiva”, respondeu o gabinete de Marta Temido.