Eurobic retém salários de trabalhadores de Isabel dos Santos

Banco está a congelar salários de expatriados há cerca de dois meses. BdP e EuroBic não esclarecem trabalhadores.

Há portugueses que trabalham em empresas de Isabel dos Santos, em Angola, e recebem através do EuroBic em Portugal, que têm os salários congelados.

A situação tem estado a afetar à volta de 100 trabalhadores e arrasta-se há dois meses, contou uma expatriada que está nesta situação e que tem unido esforços junto de outros trabalhadores para resolver o problema. São os trabalhadores que têm como contraparte o EuroBic e o BIC, ou que recebem através destes bancos, que têm os salários congelados.

Os que recebem através de outros bancos não têm tido este tipo de constrangimentos. As empresas de Isabel dos Santos em Angola têm pago os salários, mas o dinheiro enviado para as contas do EuroBic, banco presidido pelo ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos, para pagar salários fica bloqueado, explica.

“Uma parte dos salários, à volta de 70%, é para as famílias pagarem contas”, desabafa. É dinheiro transferido para Portugal, com o aval do Banco Nacional de Angola. Nesta situação estão também trabalhadores da empresa de Paula Oliveira, sócia de Isabel dos Santos e igualmente arguida, num processo que levou ao arresto das suas contas pelo Ministério Público a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola.

Perante a situação, alguns destes trabalhadores juntaram-se e, em fevereiro, fizeram queixa junto do Banco de Portugal (BdP) e da PGR, e enviaram cartas à administração do EuroBic a pedir uma explicação. Até agora apenas a PGR respondeu, remetendo a questão para a PGR Angola, o que gerou incompreensão, já que a parte do salário que é recebida em contas de bancos em Luanda não está a ser congelada. Por parte do EuroBic e do BdP não obtiveram nada mais do que silêncio.

Esta semana houve trabalhadores, poucos, que viram os salários desbloqueados. Os outros não, e não sabem porquê. Questionado sobre o porquê desta situação, o EuroBic não respondeu. O banco está porém a tentar resolver este assunto junto das autoridades judiciais.

Questionado o Banco de Portugal se estava ao corrente da situação mas não obteve resposta. Também ao contrário do que acontece em Angola, as empresas de Isabel dos Santos em Portugal, como a Santoro e a Fidequity, não estão a pagar os salários nem as rendas.