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Europa avança em bloco e interdita os Boeing 737 Max 8 e Max 9

Decisão acaba de ser anunciada pela Agência Europeia de Segurança Aeronáutica e abrange os 32 países membros desta entidade, incluindo Portugal. Proibição entra em vigor às 19h.

A pressão sobre a Boeing atingiu o zénite na Europa. A Agência Europeia de Segurança Aeronáutica (EASA) acaba de anunciar que estão proibidos os voos do Boeing 737 Max 8 e Max 9 em todo o espaço europeu dos países membros daquela agência (32, incluindo Portugal). A decisão surge depois de alguns dos maiores países europeus, como a Alemanha, a França e o Reino Unido, terem decidido unilateralmente contrariar o regulador da aviação nos EUA (a FAA) e antecipar-se à própria EASA. Doze países, incluindo nove de outros continentes, tinham proibido voos com o Boeing 737 Max 8 até que se esclareçam as circunstâncias que levaram à queda do avião que se despenhou no domingo, na Etiópia, matando as 157 pessoas que seguiam a bordo.

Esta medida da EASA entra em vigor às 19h desta terça-feira e, segundo o comunicado da agência, abrange “todos os voos comerciais de operadores não-europeus que voem para a Europa, dentro da Europa ou saem da Europa rumo a outros destinos extra-europeus”. A mesma entidade refere que continua a acompanhar todas as informações relativas ao acidente de domingo, cuja investigação está entregue às autoridades etíopes, com apoio da agência norte-americana que investiga acidentes aéreos (a NTSB). “A investigação está a decorrer e é demasiado cedo para tirar conclusões sobre a causa do acidente” de domingo, acrescenta o comunicado. Mas, pelo sim pelo não, na Europa ninguém voa em modelos iguais aos que caíram em África e, cinco meses antes, na Indonésia.

Quarenta e oito horas depois do acidente mortal na Etiópia, a EASA alarga a proibição à versão Max 9 do 737, mostrando que se perdeu a confiança na última coqueluche da Boeing. Além da Europa, que aplicou a medida mais severa aos aviões da Boeing, China, Austrália, Malásia, Singapura, Omã, Coreia do Sul, Mongólia e Indonésia também suspenderam voos do 737 Max 8, tal como 27 companhias de aviação que, de forma unilateral, seguiram o mesmo caminho.

No aeroporto da Madeira havia, nesta terça-feira, um Boeing 737 Max 8 retido depois de o voo ter sido cancelado. O aparelho pertence à Norwegian Airlines e deveria ter descolado pelas 14h20 do Funchal rumo a Oslo. O voo foi cancelado, mas segundo o Diário de Notícias da Madeira, o aparelho acabaria por levantar voo, sem passageiros e apenas com a tripulação. Os passageiros deverão seguir viagem na quarta-feira, noutro aparelho.

EUA isolados

Na prática, toda a frota de 370 aparelhos destas gerações da família 737 fica impedida de usar rotas que utilizem espaço aéreo de países relevantes com hubs estratégicos do tráfego aéreo, como Londres, Frankfurt, Paris, Amesterdão ou, fora da Europa, Singapura.

No Reino Unido, a proibição aplicou-se a “a todos os voos comerciais de passageiros de qualquer operador que chegue, que parta ou que sobrevoe o espaço aéreo do Reino Unido”. “É uma medida de precaução”, refere um porta-voz do regulador britânico, citado pelo diário londrino Guardian. Na Alemanha, a decisão foi anunciada pelo ministro dos transportes, Andreas Scheuer. Em declarações ao canal n-tv, o governante disse que “a segurança é a prioridade absoluta”.

Na segunda-feira, fonte oficial do regulador português, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), disse ao PÚBLICO ser pouco provável que houvesse decisões individuais nesta matéria, tendo em conta que a certificação de aviões é matéria tratada no plano supranacional e que costuma haver tratamento de reciprocidade entre as decisões da FAA sobre os aviões da Boeing e as da EASA em relação aos aviões do consórcio europeu Airbus. Porém, depois da pressão crescente e das proibições europeias a conta-gotas, a Europa acabou por avançar em bloco, através desta decisão da EASA, que deixa a FAA isolada.

A entidade responsável pela certificação do 737 Max 8 é a FAA, porque se trata de um avião de fabrico norte-americano. Num comunicado distribuído de manhã, o regulador dos EUA dizia que, apesar das similitudes entre o acidente de domingo e o de 29 de Outubro de 2018 (no qual morreram 189 pessoas), na Indonésia, não tomaria para já qualquer decisão.

“Esta investigação ainda agora começou e até ao momento não temos nenhum dado que nos permita qualquer conclusão ou que nos encaminhe para qualquer tipo de decisão”, lê-se na nota.

Queda livre na bolsa

A Europa já não pensa assim. E ninguém foi tão longe como a EASA, que alargou as medidas preventivas à versão Max 9 do 737. Fora da Europa, há companhias que isoladamente decidiram suspender o recurso a estes modelos. Nesse universo estão transportadoras latinas, asiáticas e europeias, incluindo também a TUI, o maior operador turístico do mundo, que tem uma frota de 15 Boeing 737 Max 8.

Na bolsa de Nova Iorque, as acções da Boeing atravessam mais um dia mau. Às 14h, perdiam 4,67% face à cotação de abertura, mas as notícias provenientes da Europa agravaram as perdas. Às 16h53, os títulos do fabricante norte-americano perdiam 7,49% em Wall Street.