Famalicão : 22 utentes e dez funcionários infetados em lar

Dos 34 utentes da Residência Sénior Pratinha em Cavalões, Famalicão, 22 estão infetados com Covid-19. Há ainda dez colaboradores contaminados.

Do universo dos 34 utentes, 22 estão infetados com Covid-19. Desses 22 utentes, 18 estão no Hospital Militar do Porto, três noutros hospitais e outro está em casa. Além destes utentes, há 10 colaboradores infetados. “Só no universo daquele espaço residencial são 32 os infetados com Covid-19”, afirmou presidente da Câmara de Famalicão, Paulo Cunha.

Segundo o autarca, “no dia 18 foi internado o primeiro utente com coronavírus e outros dois foram para casa de familiares. No domingo, a restante comunidade foi deslocada para o hospital militar”.

“No universo deste lar residencial, tínhamos, a 16 de março, 34 utentes. Soubemos agora que no dia 16 houve a primeira notícia que apontava no sentido da existência da pandemia ao nível dos colaboradores do lar”, afirma o presidente da Câmara de Famalicão, Paulo Cunha.

Mas, acrescenta o autarca, que só na “noite de sexta para sábado” é que Câmara foi informada do que estava acontecer. O autarca lamenta que “numa situação tão grave” a Autarquia só tivesse conhecimento “cinco dias depois” quando “entidades responsáveis já o sabiam antecipadamente”. Por isso, reclama um inquérito para “averiguar” o que aconteceu.

Mais testes em lares, pede autarca

Além da necessidade de ser feito um inquérito à razão pela qual não houve interrupção na cadeia de contágio da Residência Sénior Pratinha, o presidente da Câmara de Famalicão diz que é necessário realizar o rastreio a toda a população dos lares do concelho. O autarca diz que o município está disponível a suportar os encargos financeiros para a realização do rastreio.

“A Câmara comunicou hoje, à delegação de saúde de Famalicão a nossa disponibilidade para o apoio que fosse necessário para que se implementasse uma das medidas para o estado de mitigação que estamos a viver”, afirmou. “Nesta fase as medidas apontam para alargamento da base do rastreio e sabemos que população dos lares residenciais é de maior risco, ao nível da cadeia do contágio e das consequências do contágio”, afirma Paulo Cunha. Por isso, refere que já “sensibilizou” a delegação de saúde para “o urgente rastreio de todos os utentes e colaboradores das 21 instituições que temos no concelho, que abrangem 700 utentes e 1300 colaboradores”.

“A Câmara não só reclama a sua realização como se disponibiliza para suportar os encargos financeiros necessários, admitindo o cenário do serviço nacional de saúde não ter meios financeiros para executar este rastreio cm urgência que é reclamada por mim, assim como apoios logísticos e operacionais necessários”, diz Paulo Cunha.

Entretanto, atendendo a que a Autarquia apenas soube da situação da Residência Sénior Pratinha na “noite de 20 para 21”, e tendo a informação que tudo terá “começado no dia 16”, Paulo Cunha considera que “algo de errado aconteceu”.

“Compete às instâncias oficiais, ao Ministério da Solidariedade Social a tomada de medidas, desde logo para perceber porque é que chegamos a uma situação de cadeia de contágio tão alargado, desde logo quando é suposto que houvessem medidas preventivas e planos de contingência que pudessem tomar posições corretas para não chegarmos até aqui”, nota.