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Isabel dos Santos diz ser vítima de uma “caça às bruxas”

A multimilionária angolana Isabel dos Santos disse, numa entrevista à Reuters, que está a ser vítima de uma “caça às bruxas” que foi planeada para enfraquecer a influência do seu pai, Eduardo dos Santos, antigo presidente angolano, e para retirar a atenção das falhas económicas.

“Este é um julgamento político, há um estado perseguidor e magistrados servis e partidários. E depois há uma mulher escolhida para ser exemplo como bode expiatório. Sou eu”, disse Isabel dos Santos, em entrevista à agência de notícias.

A empresária, de 46 anos, rejeita as alegações de corrupção nas quais está envolvida, de acordo com a Reuters.

O Tribunal Provincial de Luanda decretou em 30 de dezembro o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, Sindika Dokolo, e do português Mário da Silva, além de nove empresas nas quais a filha do antigo Presidente detém participações sociais.

O tribunal acusou os três de ocultarem “património obtido às custas do Estado”, sustentando ainda que a filha do antigo Presidente angolano, através do seu sócio Leopoldino Fragoso do Nascimento, estaria a “tentar transferir alguns dos seus negócios para a Rússia”.

O tribunal estima que o valor das perdas para o Estado angolano ultrapassa os mil milhões de dólares (894 milhões de euros). Isabel dos Santos detém participações em Portugal em setores como a energia (Galp e Efacec), telecomunicações (NOS) ou banca (EuroBic).

A decisão do tribunal realça o papel crucial desempenhado por José Eduardo dos Santos no negócio de diamantes da filha e seu marido, Sindaka Dokolo.