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Marcelo em Angola elogia Costa

“Seguro de vida do Governo foi o que fez ao serviço do país”.

No balanço de três anos de mandato – feito a partir de Luanda – o Presidente elogia o Governo. E diz que no caso de não se recandidatar não sairá em festa. Se quiser ficar em Belém, será discreto a partir do dia do anúncio para não prejudicar concorrentes. Quanto a Angola, voltará em breve. Só não quis dizer quando.

Que horas são?

– Três e meia…

– Então foram duas horas, já estava a sentir nos pés… – comentou Marcelo Rebelo de Sousa com o Expresso, ainda o Presidente estava em cima daquele palco. Foram duas horas de selfies depois de um discurso, sem comer e sem beber, sem se sentar, enquanto os convidados almoçavam e conversavam na receção da Escola Portuguesa de Luanda à comunidade de emigrantes. A fila era longa, e parecia infinita: aparecia sempre mais alguém para a fotografia.

No fim da sessão, a caminho da última conferência de imprensa, ainda se dirigiu voluntariamente a quatro funcionárias sentadas num banco: “Então trabalham em quê?” A foto inevitável foi tirada pelo presidente do AICEP, Luís Castro Henriques, que ainda ouviu Marcelo comentar: “Este senhor é o responsável pelo investimento. Por isso é que é gordinho. Se fosse magrinho, ninguém investia”. Comentário de um angolano ao lado: “Isto é um grande contraste”. Com Angola, claro. Mas também em relação a todos os políticos portugueses.

Ao fim de três anos em Belém – que Marcelo comemora hoje -, este estilo passou a ser a marca da Presidência. Sem querer dizer qual o principal desafio até ao final do mandato, na conferência de imprensa de balanço da viagem a Angola, Marcelo não admitiu ter sido o seguro de vida do Governo socialista, e acabou a fazer um elogio a António Costa e à ‘geringonça’ no dia em que o Público escreve que pondera vir a apoiá-lo: “O seguro de vida do Governo foi a sua base de apoio parlamentar e aquilo que fez ao serviço do país, isso é que foi o seu seguro de vida”. Depois justificou que jamais pensou “questionar a estabilidade da legislatura através de crises políticas ou incidentes de percurso” e realçou que o facto de ter uma relação antiga com Costa ajudou: “Podemos sempre dizer que o facto de conhecermos os protagonistas políticos facilita a cooperação. Não se trata de descobrir as pessoas quando se conhece as pessoas à décadas”, afirmou aos jornalistas.

Marcelo não falou da vontade de se recandidatar (a última vez que o fez foi quando foi ao Panamá e o Papa anunciou as Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa). Mas disse qual seria a sua atitude caso avançasse ou saísse de cena. A partir do momento em que anunciar a recandidatura, mudará “qualitativamente a posição” do Presidente. “Se for candidato, terei isso presente para não prejudicar outros candidatos”, explicou. Caso contrário, tornar-se-á absolutamente discreto: “Se não for candidato, saberei sair do palco, sem festas ou celebrações de saudade antecipada, deixando o palco também para aqueles que forem candidatos”.

Depois de ter dito ao Expresso este sábado que a criação de um clima de “otimismo” tinha sido o seu legado até agora na Presidência, reafirmou que os piores momentos que viveu em Belém foram os fogos: “As tragédias do verão e do começo do outono de 2017” (que o levou a forçar a saída da ministra da Administração Interna). Depois, desfiou um rol de aspetos positivos: “A saída do processo do défice excessivo, a saída da crise, a afirmação de Portugal nas instituições europeias, nos mercados internacionais, a presidência do Eurogrupo, o momento único da eleição do secretário-geral das Nações Unidas ou da Organização para as Migrações”. E ainda a vitória no euro ou na Eurovisão. Mais o “muito positivo”: “A noção de que os portugueses olham para o futuro com confiança – apesar das tensões e dos problemas e preocupações com o que se pode passar na Europa ou no mundo. Apaziguamento e estabilização é positivo”.

Sobre a próxima visita a Angola, lançou suspense: “Mesmo que soubesse não dizia. É um efeito surpresa fundamental que faz parte da vida. Uma das coisas que aprendi na vida é que saber-se de tudo e com muita antecedência tira encanto às coisas”. Portanto, algo estará para se saber: “A mensagem é: até logo. Ou até à próxima. Não se trata de partir para não voltar, mas partir para voltar o mais brevemente possível”. Com a receção que teve, Marcelo Rebelo de Sousa chegou a confessar a vontade de ficar mais tempo. Voltará daqui a quanto tempo?

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