Morre de Covid-19 e família recebe conta do hospital de 26 mil euros

Comerciante esteve internado durante sete dias numa unidade hospitalar privada do Brasil, antes de morrer.

A família de um homem que morreu com Covid-19, no Brasil, recebeu uma conta de cerca de 170 mil reais (mais de 26 mil euros) do hospital, devido a um internamento de sete dias.

Para fugir às filas de espera nos hospitais públicos brasileiros, Fábio dos Santos, de 38 anos, que estava há vários dias com falta de ar, decidiu dirigir-se a um hospital privado de São Paulo, para verificar o seu estado de saúde, acreditando que seria submetido a um ou outro exame.

Só que, ao ser atendido, os médicos perceberam que se tratava de Covid-19. O comerciante foi logo internado e ali permaneceu durante sete dias, onde acabou por morrer.

Vários dias depois do óbito, a família de Fábio recebeu a conta do hospital e nem queria acreditar no que via. O valor a pagar era quase de 170 mil reais, mais de 26 mil euros.

Ao jornal brasileiro Época, a irmã da vítima admite que o hospital questionou a família, quando Fábio piorou, sobre uma possível transferência para um hospital público. Contudo, com um sistema de saúde completamente lotado, os familiares acabaram por dar o aval para a permanência no privado, achando que assim o podiam salvar.

O que nunca pensaram foi que Fábio morresse e que a conta chegasse ao valor agora cobrado.

Como a família assumiu a responsabilidade financeira pelo tratamento, de acordo com uma advogada consultada pela publicação, “a contestação da conta é mais difícil”. “É uma situação muito específica e delicada, mas houve a escolha de o manter no hospital”, esclarece Rafaela Borensztein, especialista na defesa de pacientes em processos na área da saúde.

Já o hospital, contactado pelo Época, disse que “está à disposição para negociação da conta”.

“Só temos 2 mil reais. Estamos sem saída”, garante a irmã.

Entretanto, foi criada uma campanha de angariação, para ajudar a família. Até ao momento foram arrecadados 43 mil reais, cerca de 7 mil euros.