Mortes em tempo de Covid ultrapassam ano letal de 2018

Vírus mantém aperto à região em torno do Porto, mas está mais espalhado. Só 92 municípios têm um número residual de infetados.

A pandemia de Covid-19 ainda está concentrada em torno da Área Metropolitana do Porto, mas começa a espalhar-se pelo país. Entre 16 de março e 12 de abril, morreram mais pessoas em Portugal do que tinham morrido nos dois anos anteriores – incluindo 2018, o ano mais letal das últimas décadas.

Entre meados de março e de abril, diz o Instituto Nacional de Estatística, perderam a vida 14 860 pessoas, mais 1222 do que na média dos dois anos anteriores (período homólogo). Ontem, havia 854 óbitos oficialmente causados pela Covid-19. Olhando ao número de habitantes, é nos concelhos mais pequenos que o número dispara, como Castanheira de Pera, Almodôvar, Resende ou Tarouca. Acima da média nacional estão metade dos municípios (154).

Os cálculos incidem sobre todas as mortes, qualquer que seja a causa (Covid-19, outras patologias ou até acidentes rodoviários ou de trabalho). Mas a subida dos números indiciam que a Covid-19 será determinante.

Veja-se o sucedido entre os mais idosos: este ano morreram mais 1223 pessoas acima dos 65 anos de idade do tinha acontecido no ano passado; entre os 80 e os 84, perderam a vida mais 155 pessoas e, acima dos 85 anos, o número sobe para 877 pessoas.

Minoria sem infeções

A pandemia começa a estender-se a regiões até agora livres do vírus. O estudo do Instituto Nacional de Estatística “sugere uma redução territorial da concentração dos casos”, traduzida numa “disseminação espacial progressiva no conjunto do país”. Neste momento, só 92 municípios não têm qualquer infeção ou têm um número residual.

A média do país é inferior a 22 casos positivos por dez mil habitantes e a globalidade dos municípios em torno do Porto está acima: Valongo (67), Maia (55), Gondomar (54), Matosinhos (53), Porto (52), Felgueiras (49), Santo Tirso (41), Gaia (39), Paços de Ferreira (38) ou Lousada (35) – todos entre os 20 municípios com mais casos. O município de Braga tem 52 e Aveiro soma 31.

Em média, a Área Metropolitana do Porto tem 42 infetados por dez mil habitantes. A de Lisboa tem 14.

Foz Côa tem mais curados do que doentes

Com 92 infetados e sete mortes, Foz Côa é o concelho com mais casos positivos por habitante. Mas hoje tem mais pessoas curadas do que doentes, diz o autarca Gustavo Duarte. O foco centrou-se num lar (utentes, funcionários e familiares). Além disso, só houve três casos. Entretanto, mais de 40 já recuperaram e cerca de 30 já não têm sintomas. É o caso do primeiro positivo: um homem de 92 anos.

Castanheira de Pêra

É o município com maior subida de mortes, comparando com a média dos dois anos anteriores – perdeu seis vezes mais habitantes. Mas é também um dos municípios sem qualquer caso positivo de Covid-19.

Algarve sobe

A diferença é pequena: no Algarve, houve mais seis mortes do que na média dos dois últimos anos. Mas o número de infeções continua baixo: há sete casos por dez mil habitantes, um terço da média do país.

Braga segue Porto

A Área Metropolitana do Porto é a que mais casos de infeções tem mas, a Norte, é seguida de perto pelo Cávado, com Braga à cabeça. A região tem 34 infetados por dez mil habitantes.

Aveiro em terceiro

Com 31 positivos por dez mil habitantes, a Região de Aveiro é a terceira com maior número de infetados.