Home / Vidas / “Nem quando ele estiver preso ficarei tranquila”, diz mulher agredida pelo marido

“Nem quando ele estiver preso ficarei tranquila”, diz mulher agredida pelo marido

Vítima de homem condenado a quatro anos de prisão por violência doméstica confessa receios. Carla Alves garante que todos os dias teme represálias por ter denunciado as agressões do marido. Mas continuará a falar sobre o caso para ajudar outras vítimas.

Carla Alves, a mulher violentamente agredida pelo marido no interior da farmácia do Porto onde ambos trabalhavam, ficou satisfeita com a pena de quatro anos de prisão aplicada, nesta quarta-feira, ao agressor. “Só não morri por sorte e as pessoas têm de perceber de uma vez por todas que não é preciso morrer para que haja uma pena de prisão efetiva. Queria que se fizesse justiça e considero que, de alguma forma, se fez justiça”, afirmou a vítima à saída do tribunal.

No entanto, a decisão do coletivo de juízes não deixa a proprietária da farmácia do Amial, no Porto, descansada relativamente à sua segurança. “Nem quando ele estiver preso ficarei tranquila, porque ele pode continuar a contratar pessoas para me perseguir”, afirmou a vítima à saída do tribunal. Aos jornalista, Carla Alves justificou este receio com as ameaças que continuou a receber mesmo depois do ex-marido, André Coutinho, ter sido colocado em prisão domiciliária.

“Ele não aprendeu nada e continuou a fazer-me a vida num inferno, ao ponto de mandar trocar as fechaduras das portas da farmácia”, alegou. Para além deste episódio, Carla Alves refere que o antigo companheiro controlava os seus movimentos através dos extratos da Via Verde, tentava desviar o dinheiro das contas da farmácia e mandou pessoas tirar fotografias a quem estava na farmácia. “Fomos ameaçados e receio o que possa acontecer se a pena for confirmada. Todos os dias acordo e deito-me a pensar no que pode acontecer”, assegurou.

Por fim, Carla Alves manifestou o desejo de que o seu caso possa ajudar outras vítimas a denunciar as agressões de que são alvo. “Eu falo abertamente sobre o que aconteceu, porque não não sou eu que tenho de esconder a cara. Aquele senhor é que tem de ter vergonha”, sentenciou.