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Polícias obrigados a libertar filho de “El Chapo” para não morrerem

As autoridades mexicanas detiveram, na quinta-feira, Ovidio Guzmán, filho do traficante “El Chapo”. Uma detenção que durou pouco tempo já que tiveram que o libertar depois de terem sido atacados por um grupo de homens armados.

Alfonso Durazo, ministro da Segurança, explicou aos jornalistas que quando a Guarda Nacional entrou numa casa, em Culiacán, encontrou quatro homens. Entre eles estava Ovidio, que foi cercado no interior da habitação. O homem está acusado de tráfico de drogas, nos EUA, e tornou-se uma das principais figuras do Cartel de Sinaloa depois da detenção do pai.

Quando se preparavam para o deter acabaram por ser surpreendidos pelos disparos de elementos do cartel. “A polícia mexicana foi obrigada a abandonar o local sem Ovidio para evitar mais violência e preservarem as suas vidas”, disse, à Reuters, o ministro.

Ruas barricadas, fogo nas estradas e trocas de tiros

Os meios locais dão conta de uma intensa troca de tiros entre as forças de segurança e elementos do cartel. Foram erguidas barricadas, queimados pneus e carros, num estado de violência tal que se prolongou durante toda a noite.

Aproveitando a desordem em toda a cidade, um grupo de prisioneiros conseguiu escapar da prisão de Culiacán e invadiram as ruas e vários espaços comerciais. Segundo as autoridades no local, duas pessoas terão morrido e há registos de pelo menos 21 feridos.

Os confrontos nas ruas de Culiacán acontecem pouco depois do massacre de mais de uma dezena de polícias na zona ocidental do México no início da semana.

Andrés Obrador, presidente do México, disse, também à Reuters, que as autoridades fizeram bem em libertar Ovidio, “salvando, assim, muitas vidas”. “O oficial que assim decidiu fez bem”, sublinhou.

Por outro lado, Falko Ernst, analista do International Crisis Group no México, disse que a libertação de Ovidio Guzmán criou um “precedente perigoso” e passou a mensagem de que o Estado mexicano não tem o controlo do país.

“El Chapo” condenado a prisão perpétua

Joaquim “El Chapo”, um dos maiores narcotraficantes da história, foi condenado, em julho, a prisão perpétua. A sentença foi confirmada por um tribunal de Nova Iorque.

Em 2016, fugiu de uma prisão no México, escavando um túnel, mas acabou por ser detido pouco depois. Foi extraditado para os EUA em 2017.

Tornou-se uma figura mundialmente conhecida quando assumiu a liderança do cartel Sinaloa, que, de acordo com o que escreve a BBC, foi o principal fornecedor de drogas para os EUA.