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Primo de Reyes que sobreviveu ao acidente diz que o carro “ia a voar”

Juan Manuel Calderon sofreu queimaduras graves ao tentar salvar os primos, Jonathan Reyes e Jose António Reyes, que morreram carbonizados quando o carro do ex-jogador do Benfica se incendiou após um despiste na autoestrada A376, em Espanha. O único sobrevivente do sinistro contou o que lembra à polícia.

Ainda luta pela vida num hospital espanhol, mas pouco após o acidente foi ouvido pela polícia. Disse que “ia a olhar pela janela” e reconheceu que iam muito depressa quando o carro do ex-jogador do Benfica se despistou 1 de junho, numa autoestrada entre Sevilha e Utrera, de onde era natural.

Segundo a Guardia Civil, o Brabus Mercedes S550 ia a mais de 220 quilómetros por hora quando ocorreu o acidente, que terá sido precipitado pelo rebentamento de um pneu. José Jorge Elías Santamaría, jornalista com reconhecidas fontes na Andaluzia, cita um documento da polícia para afirmar que o carro circulava a 237 quilómetros hora quando embateu num pilar de um viaduto na A376.

“Não sei o que fez Jose… Não me recordo”, disse Juan Manuel quando foi interrogado. O carro embateu no muro, capotou. Deixou mais de 90 metros de marcas de travagem antes de entrar numa vala e sair catapultado.

“Saiu pelos ares… Estávamos a voar”, disse o único sobrevivente do acidente. Foram cerca de 30 a 35 metros sem tocar no chão, conta a reportagem do jornal espanhol “El Mundo”, deste domingo. O carro perdeu várias peças no embate, volteou e acabou por incendiar-se.

Juan Manuel, único testemunho da história, saiu praticamente ileso do acidente. Ao ver o carro a arder tentou tirar os primos do interior da viatura. Os agentes encontraram-no em chamas, quase a desmaiar. Tentou salvar os companheiros do fogo “até que a pele não aguentou mais”, conta o “El Mundo”, que fez a reconstituição da viagem fatídica de Reyes, que estaria a caminho de Utrera, para fazer uma surpresa à mulher Noelia López e às duas filhas (Noelia, 5 anos, e Triana, 2). Tem um outro filho, José Antonio, 12 anos, de uma relação anterior

O carro, Mercedes S550 adaptado por uma empresa famosa de “tuning”, com o coração e mecânica de um carro de corrida, capaz de chegar aos 300 km/h num fôlego, e um habitáculo com o conforto de um carro familiar, percorreu 191,2 quilómetros, desde a Cidade Desportiva de Almendralejo até ao momento do despiste, ao km 18 da A-376. Foram 191,2 quilómetros percorridos em 75 minutos, a uma média de 152,8 km/h, entre estradas regionais, nacionais, e duas autoestradas.

A equipa do “El Mundo” refez o percurso de Reyes, respeitando as regras de trânsito e os limites de velocidade, vigiada por radares em parte do percurso, e demorou quase duas horas (1:56.44 horas) a fazer o mesmo trajeto a uma média de 98,2 km/h.

Para cobrir a distância em 75 minutos Reyes teve de superar os 220 km/h entre os dois radares da “Autovía de la Plata” e também após passar o último radar na A-376, conclui a reportagem do “El Mundo”.

Reyes, que atuou esta temporada no Extremadura, jogou no Benfica na época 2008/09, por empréstimo do Atlético de Madrid, tendo disputado 35 jogos e marcado seis golos ao serviço das “águias”, pela qual conquistou a Taça da Liga, concretizando um golo na final, frente ao Sporting.

O avançado, que tem 21 internacionalizações pela seleção de Espanha, nas quais marcou quatro golos, conquistou por cinco vezes a Liga Europa e venceu uma Supertaça europeia.

Os últimos clubes por onde passou foram o Sevilha, Espanyol, Córdoba, Xinjiang e atualmente jogava no Extremadura.

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