Fátima, sete anos. Foi raptada pela mulher do homem que a violou e matou

Fátima, sete anos, foi encontrada morta com sinais de agressão sexual depois de ter sido raptada à saída da escola. É o mais recente feminicídio a chocar a sociedade mexicana.

Maria Magdalena Antón nunca mais voltará a chegar atrasada. A mãe de Fátima Cecilia Aldrighett, uma menina de sete anos assassinada no México há dez dias, ainda se “flagela” por ter chegado 15 minutos depois da hora à porta da escola de onde a filha desapareceu. Não encontrando a mãe, a pequena viu uma cara conhecida e a inocência de criança fê-la dar-lhe a mão até dentro de um carro onde um homem esperava para começarem uma viagem com um destino fatal. Quatro dias depois, o corpo esquartejado de Fátima foi encontrado dentro de um saco de lixo, num aterro sanitário perto da sua casa, em Tulyehualco, uma das zonas mais empobrecidas e perigosas da Cidade do México. Apresentava sinais de ter sido violada.

“Desta vez foi minha filha, mas poderia ter sido a filha de qualquer um de vocês”, gritava desesperadamente Maria Magdalena no funeral de Fátima, ao qual assistiram centenas de pessoas em protesto contra a falta de segurança na cidade e a passividade das autoridades perante a vaga de feminicídios no país – 1006 vítimas em 2019, segundo dados oficiais que pecam por defeito, dadas as deficiências na classificação dos crimes.

A história de Fátima ficou ainda mais macabra depois de a Polícia identificar os dois suspeitos do sequestro graças às câmaras de segurança dos comércios da rua da escola – porque as câmaras do Governo falharam. Mário Alberto e Giovana foram presos na quarta-feira. Enfrentam uma condenação de 80 a 140 anos de prisão, nada comparável ao dano que fizeram à família Aldrighett.

Segundo o jornal mexicano “O Universal”, Maria Magdalena conheceu Giovana numa festa. Foi o início de uma suposta amizade. O casal, que tem três filhos, alugou um apartamento num condomínio propriedade da família da vítima e Giovana também esteve durante um tempo na casa de Maria Magdalena e dos seus quatro filhos, facto chave para que Fátima reconhecesse o rosto da sequestradora e tivesse suficiente confiança para ir com ela sem chamar a atenção.

A Polícia encontrou roupa da menina na casa de Giovana, que pertencia a uma tia de Mário. Terá sido ali que a retiveram e agrediram sexualmente. Giovana confessou às autoridades ter estrangulado a menina com um cinto, embora a ideia do sequestro fosse de Mário, que tinha pedido à mulher uma nova namorada jovem se não queria que abusasse das suas filhas.

O crime foi acompanhado por uma série de graves negligências que ainda estão a ser investigadas. A primeira envolve a escola pública Enrique Rébsamen, com mais de 700 alunos, que violou o protocolo e deixou sair uma criança com uma pessoa “desconhecida”. Pouco depois do desaparecimento, a família da menina tentou desesperadamente que a Polícia investigasse o caso, mas as autoridades recusaram a denúncia por não terem passado 24 horas. Só dois dias mais tarde começaria a investigação. Já demasiado tarde para salvar a vida de Fátima.

Além da atroz morte de Fátima, o México assistiu chocado ao cruel assassinato de Ingrid Escamilla pelo namorado, que partilhou nas redes sociais um vídeo anunciando o ódio com que matara a companheira. A polémica cresceria com os meios de comunicação mexicanos a partilharem as fotografias do corpo maltratado de Ingrid.