TAP dispensa cem trabalhadores e prolonga licenças sem vencimento

Corte de pessoal inclui tripulantes de cabine contratados há poucas semanas.

A TAP não renovou o contrato de trabalho a cerca de 100 trabalhadores, no âmbito dos cortes de custos que está a realizar por causa dos efeitos do novo coronavírus. De acordo com fonte oficial da transportadora, a medida abrange funcionários “com diversas funções”, mas serão os tripulantes de cabine os mais impactados, nomeadamente porque tem sido nessa área que a TAP mais tem contratado ultimamente.

Entre as dispensas estão tripulantes de cabine contratados há poucas semanas e que ainda se encontravam no primeiro mês de período experimental, invocando-se para tal o “plano de emergência coronavírus covid-19 em curso” na empresa. Em causa estão funcionários de uma das últimas turmas de formação da companhia que tinham sido contratados em Fevereiro a termo certo, por um ano.

Um desses trabalhadores, que pediu para não ser identificado, contou que recebeu um telefonema nesta quinta-feira de um elemento dos recursos humanos a informar que o contracto iria ser denunciado com efeitos imediatos e a anunciar que o aviso da TAP iria seguir por carta registada.

Antes de entrar para a TAP, a pessoa em causa já trabalhava numa companhia concorrente, da qual se tinha despedido para entrar na transportadora portuguesa. Era uma das últimas pessoas “contratadas para reforçar o plano de crescimento da empresa”. De forma inesperada perdeu o emprego, com a TAP a invocar a norma do Código do Trabalho que permite a denúncia do contrato durante o período experimental, por justa causa, sem direito a indemnização.

Fonte oficial afirma que os trabalhadores agora dispensados serão os primeiros a serem contactados “quando a actividade regressar ao normal” e houver necessidade de reforço de pessoal.

No dia 5 de Março, a transportadora aérea liderada por Antonoaldo Neves comunicou que ia avançar com várias medidas onde se incluía a suspensão de contratações de novos trabalhadores, a suspensão de progressões e formações e também o recurso a licenças sem vencimento. Até aqui, a licenças podiam requeridas entre num período que variava de 30 a 90 dias, entre Abril e Junho. De acordo com a TAP, houve já 300 trabalhadores que aderiram – sem especificar períodos temporais.

Esta quinta-feira, a transportadora anunciou aos trabalhadores, através de um comunicado assinado pelo director de recursos humanos, Pedro Ramos, que o período era agora alargado para seis meses, indo de Abril a Setembro. O prazo de apresentação de propostas (a decisão final é da empresa) termina a 31 de Março. “Excepcionalmente”, refere o gestor, “os trabalhadores mantém o direito de facilidade de passagem, bem como o seguro de saúde”, refere o comunicado.