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Triatleta : Rosa confrontada com contradições sobre o dia da morte de Luís Grilo

Um fato de treino, munições e o telemóvel que nunca foi desligado. As contradições de Rosa Grilo na sessão da tarde do julgamento da morte do triatleta Luís Grilo, no Tribunal de Loures.

Rosa Grilo e o amante António Joaquim começaram esta terça-feira a ser julgados no caso da morte do triatleta Luís Grilo, que foi encontrado morto em Avis, depois de ter estado desaparecido cerca de um mês. Soube-se mais tarde, que quando Rosa Grilo deu o alerta para o desaparecimento, na altura afirmava que ele tinha ido fazer um treino de bicicleta, já tinha sido morto com um tiro.

Logo de manhã, percebeu-se que viúva de Luís iria insistir na tese de que o marido foi morto por “três homens angolanos”, devido a um problema num negócio de diamantes. Nesse dia, de manhã, ela e o marido estariam no quarto quando os três homens bateram à porta e Rosa foi abri-la. Foi agredida e manietada por trás, por um deles, “branco”.

Não soube explicar por que razão, nesse dia, levantou 60 euros e falou com duas pessoas, quando já se encontrava com o grupo de agressores, mas ainda antes do homicídio. Na sessão, a juíza comentou que Rosa, numa situação de grande stresse, teve um comportamento normal e não entrou em choque.

De regresso a casa, em Vila Franca de Xira, Rosa disse que foi avisada pela sobrinha que o filho iria regressar a casa, que estavam a sair da Costa da Caparica, o que terá enervado os captores. Nesse momento, Luís Grilo terá adito que afinal os supostos diamantes estariam na garagem, numa caixa onde também estava a arma. Esta arma está também envolta em alegadas contradições.

Segundo a mulher de Luís Grilo, quando o marido lhe disse – ainda antes do dia do crime – que estaria com problemas devido ao negócio com diamantes, ela foi buscar uma pistola a casa do amante, tendo recolhido a pistola e munições de uma caixa, sem que António Joaquim soubesse. Neste momento, Rosa Grilo foi questionada sobre a escolha das munições, já que afirmou não perceber nada de armas, mas escolheu as munições corretas, mesmo existindo outras no local.

Chegando ao momento do crime, Rosa garantiu que estava no chão da cozinha e o marido agachado. O “branco”, segundo as suas palavras, disparou dois tiros (a autópsia refere apenas um) e matou o marido que lhe caiu no colo. Depois disto, dois dos angolanos levaram o cadáver de Luís Grilo, envolto em lençóis sujos e em sacos do lixo, e ela ficou em casa a limpar o sangue, deitando detritos no caixote do lixo. Na sessão em tribunal, Rosa Grilo disse não saber com que arma o marido foi morto, já que os três elementos do grupo estavam armados.

Depois de limpar, Rosa Grilo, que estaria vestida com um fato de treino e uma t-shirt, disse que mudou de roupa, caindo numa contradição, assinalada no julgamento, com o primeiro depoimento, onde disse que tinha ficado com poucos vestígios de sangue e que tinha apenas limpado esses mesmos vestígios, não trocando de roupa.

Nesta fase do seu relato dos factos, a juíza mostrou a sua perplexidade com o sucedido. “Fiz o que me mandaram”, sublinhou a arguida, para dizer que deixou ficar o filho em casa, na sala, enquanto o homicida do marido estava no escritório e ela ia à GNR dar conta do desaparecimento do marido. “Como é que não teve medo”, perguntou a presidente do coletivo de juízes, sobre o facto de deixar a criança durante quatro horas sozinha em casa com o homem que teria acabado de matar Luís Grilo.

A juíza salientou ainda que não lhe pareceu fazer sentido que se desse um alerta do desaparecimento do marido, ativando um forte dispositivo policial, quando os supostos assassinos ainda iam a caminho do local onde iriam depositar o cadáver. A arguida confessou ainda que foi ela quem se livrou da bicicleta do triatleta, por lhe parecer que tal ação lhe pareceu “a mais lógica”.

Sobre as mensagens relativas a um jantar de aniversário que terão sido enviadas através do telemóvel de Luís Grilo, Rosa garantiu que “foram os angolanos” a enviá-las, mas logo a juíza questionou sobre como seria possível que eles soubessem disso e de um consulta, que também terá sido referida.

Sobre os seguros apontados com parte do móbil do crime, Rosa Grilo diz que sabia do seguro da casa, um de acidentes pessoais de 100 mil euros e um outro de 50 mil euros, relativo aos dois. Sobre os outros, garantiu nada saber.

Rosa Grilo ainda vai ser questionada pelo Ministério Público na próxima sessão do julgamento e as testemunhas, que estava previstos serem ouvidas na próxima audiência, só o serão na seguinte. Na sessão desta tarde, um telemóvel tocou na audiência e a proprietária foi expulsa da sala, sendo identificada pela PSP para possível processo por desobediência, já que é proibido ter dispositivos de comunicação ligados.

Foi também salientada a proibição de divulgação de dados sobre os elementos do júri.