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“Vidente de Fátima” nega milagres em julgamento por crime de burla

O “vidente de Fátima” afirmou, de forma reiterada, na tarde desta terça-feira, no tribunal de Ovar, que não faz milagres. O homem é acusado de um crime de burla por ter cobrado quatro mil euros a um cliente que diz ter sido enganado.

“Vidente de Fátima”, “Irmão Carlos Gabriel” e “Dr. Irmão Carlos Gabriel” são alguns dos nomes atribuídos a Carlos Marques, afamado por alegadas curas dos seus clientes e que se apresentou em tribunal como empresário de acompanhamento espiritual.

O queixoso, um homem de 61 anos, que diz sofrer de esclerose múltipla, explicou em tribunal que recorreu aos serviços do “Vidente de Fátima”, para tentar fazer frente aos problemas de saúde que padece, mas sem sucesso.

“Ele disse-me que eu não tinha nada disso [doença]. Que tinha era uma grande maldição e que a minha filha e família iriam também sofrer”.

Adiantou que Carlos Marques lhe pediu quatro mil euros destinados a pagar as missas que iria mandar rezar durante um ano e para alguns produtos, entre os quais alguns de homeopatia, que lhe iria entregar. Pagou, ainda, 50 euros no dia da consulta.

“Fiquei convencido que ele tivesse poder para ajudar as pessoas e para me ajudar”. Motivo pelo qual decidiu pagar a quantia pedida. “Tinha dinheiro para fazer obras em casa e levantei-o”. “O resto pedi ao meu sogro sem lhe dizer para o que era”, disse o queixoso adiantando que o vidente lhe pediu para arranjar o dinheiro “o mais depressa possível”.

Contudo, “depois de ter recebido o dinheiro [o vidente] começou a atender-me com maus modos (…) e mais tarde nunca mais atendeu o telemóvel e nem consegui contactar com ele no consultório”, referiu.

Diz que não recebeu os produtos combinados para o tratamento e nem teve melhoras visíveis, pelo contrário.

Em Tribunal, o “vidente” alegou que nunca prometeu curar o queixoso. “O que tinha combinado era acompanhamento humano, nunca prometo milagres. Aqui não há milagres, não existem milagres”.

Acrescentou que “não há cura para o problema” do queixoso e que lhe assegurou apenas, uma vida “aceitando o sofrimento, com menos dor”. “Não sou Santo. Trabalho através do espírito e produtos naturais”, disse.

Justificou o pedido dos quatro mil euros com o custo das missas que alegadamente mandou rezar e dos produtos homeopáticos, cuja proveniência disse ser de Lisboa, sem especificar o conteúdo.

Perante o tribunal confirmou ter mandado rezar três meses de missa, “em vários sítios”, sem especificar quais. “Não faço milagres”, reiterou.

Nas alegações finais, o Ministério Público pediu a condenação do arguido, considerando que o mesmo “criou no ofendido uma ideia que tinha poder e capacidade para o tratar e curar”.

Já o advogado de defesa, Pedro Teixeira, afirmou que “é de mais pedir a condenação” e, “vendo esta acusação não compreendo onde está o crime”.

A leitura do acórdão ficou marcada para o dia 22, às 15 horas.

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