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Vingou-se de agressor que não via há anos com facada à traição

Nove anos depois de ter sido esfaqueado no pescoço por desavenças relacionadas com uma rapariga, André Lopes, 25 anos, vingou-se do agressor com uma facada mortal, também no pescoço.

O crime deu-se na noite de 23 de maio do ano passado, junto ao posto de gasolina da Aroeira, no Seixal e está agora a ser julgado no Tribunal de Almada, onde o arguido responde por homicídio qualificado. Aos juízes, o trabalhador aeroportuário justificou o crime com o consumo excessivo de álcool e drogas, aliado ao trauma com que diz que vive desde que foi esfaqueado.

“Assim que o vi entrei em pânico, fui buscar uma faca que encontrei perto de casa e depois de fumar todo o haxixe e o álcool que tinha comigo, voltei para o picar no braço, mas nunca o quis matar e não sei como o atingi no pescoço”, disse.

Nessa noite, André acercou-se de faca em punho pelas costas de Jonathan Gutierrez, deu-lhe um toque no ombro e quando o encarou esfaqueou-o mortalmente no pescoço. “Quando o esfaqueei perguntei-lhe alguma coisa do género, pensavas que me tinha esquecido?” referiu o homicida confesso, que presumiu que Jonathan estava à sua procura, uma vez que sabia que tinha estado numa discoteca com um amigo seu há dois dias.

Imediatamente após o crime colocou-se em fuga, conduzindo para um aterro sanitário onde deixou a faca. O alerta foi dado pelas 23.30 horas e ao local acorreram os bombeiros voluntários da Amora que realizaram manobras de ressuscitação, embora sem sucesso.

O óbito foi mesmo declarado no local pela VMER do Hospital Garcia de Orta, em Almada, para onde foi transportado o corpo de Jonathan Gutierrez. Poucas horas depois, e já com as autoridades à porta de casa, André entregou-se à polícia. Aos juízes, o arguido considerou que devia ter procurado ajuda para lidar com o trauma que dizia sofrer e solicitou aconselhamento psicológico. Só quando questionado se lamentava a morte da vítima, uma vez que apenas demonstrava lamentar ter feito o que fez, apresentou um pedido de desculpa à família do falecido. A primeira sessão do julgamento ocorreu a seis de março, estando a segunda prevista para o próximo dia 19.

Jonathan Gutierrez foi condenado por ofensas à integridade física qualificada pelo esfaqueamento de André Lopes em setembro de 2009. O tribunal de Almada aplicou nessa altura uma pena de onze meses de prisão, suspensa por um ano.

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